3 de abril de 2025
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia, realizou, na últi,ma sexta-feira (28/03), seminário intitulado “Forum Qualidade do Ar e Mofo nos Ambientes Internos: Riscos para a Saúde Humana”. O evento teve como objetivo reunir especialistas e apresentar pesquisas que mostram que em tempos de crise climática, com enchentes e incêndios fora de controle, a atenção para focos de mofo e fungos (seja em casa ou local de trabalho) é importante para evitar problemas de saúde que vão além de micoses, alergias e inflamações na população.
De acordo com coordenadores do evento, estudos recentes confirmam que a exposição a esse ambiente no médio prazo pode resultar em quadros mais graves de doenças diversas. Segundo Nelzair Vianna, pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz, a exposição ao mofo pode danificar as vias aéreas pela presença de toxinas, levar a problemas pulmonares e demência. Além disso, uma infecção fúngica no cérebro (meningite) se não for tratada adequadamente pode resultar em sequelas graves e até a morte, mas, segundo ela, casos como estes infelizmente tem sido subdiagnosticados.
A pesquisadora defendeu uma mudança de paradigma, visto que já existem evidências científicas sobre a transmissão de doenças pelo ar. De acordo com ela, com a tecnologia atualmente disponível, é possível controlar mais estas doenças por meio de técnicas já disponiveis para melhorar o ar interno e as condições gerais do ambiente. Na visão de Nelzair, infecções fúngicas não consistem só em um problema médico, precisam da colaboração de outras áreas, como a engenharia, e medidas práticas como filtragem do ar, uso de máscaras e sistemas de ventilação adequados.
Para Frederico Paranhos, da MofoPro, unidade da empresa Ecoquest, na última década foram desenvolvidas diversas tecnologias para a prevenção da formação do mofo em locais públicos, escritórios e residências. Paranhos apresentou no evento inovações tecnológicas para o combate ao problema. Ele alertou que produtos químicos apenas reduzem a presença visível do mofo, mas não eliminam completamente o foco e que se a fonte de umidade não for tratada, o mofo tende a voltar em menos de três meses — tornando a solução temporária e aumentando os custos de manutenção em até 40% em cinco anos.
Outro profissional palestrante que participou do Fórum, o engenheiro Leonardo Cozac, CEO da Conforlab Engenharia Ambiental, ressaltou a importância de um diagnóstico preciso e da adoção de soluções eficazes para combater o mofo. “A poluição do ar interno ainda é um problema subestimado, apesar de seus impactos diretos na saúde humana e na segurança dos ambientes”, frisou.
A Fiocruz Bahia reforça que a conscientização sobre os perigos do mofo e a adoção de boas práticas de higienização são fundamentais para evitar problemas de saúde e melhorar a qualidade de vida da população. O evento foi realizado no Auditório Aloízio Prata, na sede da Fiocruz Bahia, localizado na Rua Waldemar Falcão, bairro do Candeal, em Salvador.
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